Como preencher o livro caixa da igreja (com modelo grátis)
Passo a passo para preencher o livro caixa da igreja: as colunas, como lançar dízimos, ofertas e despesas, como fechar o mês e um modelo grátis em Excel.
Preencher o livro caixa da igreja é anotar cada dinheiro que entra e cada dinheiro que sai, no dia em que aconteceu, com uma descrição clara e o saldo atualizado. No fim do mês, a conta é sempre a mesma: saldo anterior + entradas − saídas = saldo final, e esse saldo final tem de bater com o dinheiro que a igreja tem de verdade.
Este guia é para o tesoureiro que recebeu o livro (ou a planilha) e quer fazer do jeito certo: o que vai em cada coluna, como lançar dízimos, ofertas e despesas, como fechar o mês e quais erros evitar. No meio do texto há um modelo de livro caixa em Excel, grátis, para baixar e usar hoje.
O que é o livro caixa da igreja
O livro caixa é o registro, em ordem de data, de todas as entradas e saídas de dinheiro da igreja. Pode ser um caderno, um livro comprado em papelaria, uma planilha ou um sistema: o formato importa menos do que a regra de ouro, que é nenhum movimento fica de fora.
Ele serve para três coisas:
- Saber quanto a igreja tem agora, sem precisar contar tudo de novo.
- Mostrar de onde veio e para onde foi cada real, que é a base da prestação de contas da igreja ao conselho e à assembleia.
- Proteger o tesoureiro: com tudo anotado e comprovado, qualquer pergunta tem resposta no papel.
O livro caixa é o controle do dia a dia da tesouraria. A contabilidade formal do CNPJ da igreja (escrituração, declarações) continua com o contador, que costuma usar justamente esses registros como ponto de partida. Na dúvida sobre o que ele precisa receber, pergunte antes de começar o ano.
As colunas de um modelo de livro caixa
Todo modelo de livro caixa, de papel ou de planilha, tem as mesmas colunas básicas:
| Coluna | O que escrever | Exemplo |
|---|---|---|
| Data | O dia em que o dinheiro entrou ou saiu | 05/10 |
| Nº do comprovante | O número que você escreveu no recibo ou na nota (opcional, mas ajuda muito) | 004 |
| Histórico / descrição | O que foi e de onde veio, em poucas palavras | Dízimos do culto de domingo |
| Entrada | O valor que entrou | 1.250,00 |
| Saída | O valor que saiu | 214,90 |
| Saldo | Quanto a igreja tem depois desse lançamento | 3.415,10 |
O saldo de cada linha é o saldo da linha de cima mais a entrada menos a saída. Cada linha tem valor em uma coluna só: ou é entrada, ou é saída.
Como fazer o livro caixa: passo a passo
1. Comece pelo saldo anterior
A primeira linha do mês é o saldo anterior: o saldo final do mês passado. Se é o primeiro mês que você usa o livro, conte o dinheiro em espécie, olhe o saldo do banco no mesmo dia e escreva o total. A partir daí, o livro vai “andando” sozinho.
2. Lance os dízimos
Depois do culto, o dinheiro deve ser contado (de preferência por duas pessoas, que conferem e assinam a contagem) e lançado com data e descrição:
- Histórico: “Dízimos do culto de domingo” ou “Dízimos recebidos por Pix na semana”.
- Entrada: o total contado.
Se a igreja controla o dízimo por membro, essa lista fica num controle à parte (a ficha ou o relatório de dízimos), com acesso restrito ao tesoureiro e ao conselho. No livro caixa entra o total, não o nome de cada irmão.
3. Lance as ofertas separadas dos dízimos
Oferta do culto, oferta de missões, oferta de uma campanha: cada uma numa linha própria, com o nome claro. Separar desde o lançamento é o que permite, no fim do mês, dizer quanto entrou de dízimo, quanto de oferta e quanto foi para cada campanha. Dinheiro de campanha com destino certo (construção, missões) precisa ser usado para aquele destino, e o histórico bem escrito é o que prova isso.
4. Lance as despesas com comprovante
Toda saída precisa de um papel que prove o pagamento: nota fiscal, recibo assinado ou comprovante de transferência. O jeito simples de não perder nada:
- Numere o comprovante (001, 002, 003…).
- Escreva o número na coluna “Nº do comprovante”.
- No histórico, diga o que foi pago: “Conta de luz do templo”, “Material de limpeza”, “Oferta ao pregador convidado”.
- Guarde os comprovantes do mês juntos, na ordem dos números.
Não esqueça as saídas “invisíveis”: tarifas do banco também são saída e precisam ser lançadas, senão o saldo nunca bate com o extrato.
Exemplo de um mês preenchido
| Data | Nº | Histórico | Entrada | Saída | Saldo |
|---|---|---|---|---|---|
| 01/10 | Saldo anterior | 2.000,00 | |||
| 05/10 | Dízimos do culto de domingo | 1.250,00 | 3.250,00 | ||
| 08/10 | Oferta do culto de quarta | 380,00 | 3.630,00 | ||
| 10/10 | 001 | Conta de luz do templo | 214,90 | 3.415,10 | |
| 31/10 | Tarifa bancária do mês | 18,50 | 3.396,60 |
Valores fictícios, só para mostrar o preenchimento.
Como fechar o livro caixa no fim do mês
Fechar o mês é fazer a conta e conferir com a realidade:
- Some as entradas do mês. No exemplo: 1.250,00 + 380,00 = 1.630,00.
- Some as saídas. No exemplo: 214,90 + 18,50 = 233,40.
- Faça a conta do fechamento: saldo anterior + entradas − saídas = saldo final. No exemplo: 2.000,00 + 1.630,00 − 233,40 = 3.396,60.
- Confira com o dinheiro de verdade: conte o dinheiro em espécie, pegue o extrato do banco no último dia do mês e some os dois. O total precisa ser igual ao saldo final do livro.
- Se não bater, não “ajuste” o número. Procure a diferença: um lançamento esquecido, uma tarifa do banco, um valor digitado trocado (1.520 no lugar de 1.250), um comprovante sem lançamento.
- Assine e guarde: o tesoureiro assina o fechamento, junta os comprovantes do mês e leva para o conselho conferir.
O saldo final deste mês é o saldo anterior do mês seguinte. Assim o livro nunca começa do zero.
Erros comuns no livro caixa da igreja
- Deixar para lançar no fim do mês. Ninguém lembra, em 30 de outubro, quanto foi a oferta do dia 3. Lance no mesmo dia ou, no máximo, na mesma semana.
- Histórico vago. “Diversos”, “pagamento” ou “entrada” não dizem nada a quem vai conferir. Escreva o que foi.
- Despesa sem comprovante. Se o pagamento não tem papel, peça um recibo assinado na hora. Depois fica difícil.
- Lançar o depósito no banco como entrada. Quando o livro reúne espécie e banco, levar o dinheiro do culto ao banco não é entrada nova: o dinheiro só mudou de lugar. Lançar de novo conta o mesmo valor duas vezes.
- Apagar ou rasurar. Errou? Não use corretivo nem arranque a folha. Faça uma linha nova corrigindo (um estorno) e explique no histórico. Quem confere precisa ver o que aconteceu.
- Misturar com dinheiro pessoal. Dinheiro da igreja fica na conta da igreja, e pagamento da igreja sai da conta da igreja. Nunca “adiante do bolso e acerte depois” sem recibo e lançamento.
- Saldo negativo. Se o saldo do livro ficou negativo, alguma entrada não foi lançada ou alguma saída foi lançada duas vezes. A igreja não pode gastar o que não tem.
Livro caixa da igreja no Excel: baixe o modelo grátis
Para quem prefere planilha, preparamos um modelo de livro caixa em Excel pronto para usar. Ele tem as colunas deste guia, o saldo calculado sozinho a cada linha, o bloco de fechamento do mês (saldo anterior + entradas − saídas) e a conferência com o dinheiro em espécie e o extrato. As três primeiras linhas vêm preenchidas como exemplo: é só apagar e começar.
Modelo de livro caixa da igreja (Excel)
Grátis, sem cadastro. Abre no Excel, no Google Planilhas e no LibreOffice. Uma aba para os lançamentos e outra com as instruções.
Baixar o modelo (.xlsx)Do livro caixa à prestação de contas
Com o livro caixa em dia, a prestação de contas é quase só organizar o que já existe: saldo inicial, entradas por tipo (dízimos, ofertas, campanhas), saídas por categoria, saldo final batendo com o extrato e os comprovantes numerados em anexo. Mostramos esse relatório de uma página no guia de prestação de contas na igreja.
Quando o volume cresce (mais cultos, mais de uma pessoa lançando, congregações), a planilha começa a pesar: fórmula apagada sem querer, comprovante numa pasta e lançamento em outra, cada um com uma versão do arquivo.
Na prática: o sistema El Shaday monta o livro caixa por você. Cada dízimo, oferta, receita e despesa é registrado uma vez só, com o comprovante anexado à despesa, e o relatório Livro Caixa sai pronto: todos os lançamentos do mês em ordem de data, com entrada, saída e saldo linha a linha, em PDF (com as linhas de assinatura) ou Excel. O caixa do período (mensal ou quinzenal) calcula sozinho saldo anterior + entradas − despesas = saldo final, e o fechamento trava os lançamentos daquele período. Os relatórios para a prestação de contas (Fluxo de Caixa, Demonstrativo, Dízimos e Ofertas, Receitas e Despesas) já saem prontos, em PDF ou Excel. Você pode testar grátis por 14 dias, sem cartão.
Perguntas frequentes
O livro caixa da igreja é obrigatório?
O que a igreja precisa apresentar está no estatuto dela e nas obrigações do CNPJ, que o contador acompanha. Mas, na prática, sem um registro de entradas e saídas não há como prestar contas ao conselho nem à assembleia. Por isso, mesmo onde ninguém exige um formato específico, o livro caixa é a ferramenta básica do tesoureiro.
Posso fazer o livro caixa da igreja no Excel?
Pode. A planilha calcula o saldo sozinha e evita erro de conta. Os cuidados são: fazer cópia de segurança, guardar os comprovantes junto e não deixar o arquivo aberto para qualquer pessoa editar. O modelo gratuito já vem com as fórmulas prontas.
Preciso de um livro para o banco e outro para o dinheiro em espécie?
Depende do volume. Em igreja pequena, um livro só com o total (espécie + banco) costuma resolver, desde que o depósito não seja lançado como entrada. Quando há muita movimentação no banco, muitos tesoureiros preferem dois controles, um para o caixa em espécie e outro para a conta bancária. Combine com o contador o formato que ele precisa.
O que fazer quando o saldo não bate?
Não altere o saldo para “fechar”. Confira linha por linha com os comprovantes e com o extrato: procure tarifas do banco não lançadas, valores com números trocados, entradas esquecidas e despesas lançadas duas vezes. Achou o erro? Corrija com uma linha nova e explique no histórico.
Quem deve assinar o fechamento do livro caixa?
Normalmente o tesoureiro assina o fechamento e o conselho fiscal (ou o pastor, conforme o estatuto) confere e aprova. O que vale é o que o estatuto da sua igreja define.
O nome de quem deu o dízimo vai no livro caixa?
Não precisa. No livro caixa vai o total de dízimos de cada culto ou semana. A lista por membro fica num controle separado, com acesso restrito, porque é informação pessoal e sensível.